quando pararam de chegar as novidades? quando deixei de buscá-las. começou assim.
plantar um novo sol no meu peito, careço de. cultivar-me, recriar-me de modo mais consciente e dirigido.
já estive mais sem rumo.
tenho tudo o que preciso, dentro de mim. talvez só me falte a chance de florescer.
enquanto caminho e capino o solo pobre e endurecido, sonho.
tenho menos fantasia e passo a sonhar com o que julgo possível e necessário. decerto que não me limito ao conveniente. 
as sensações da infância me rodeiam. penso em cheiro de bolo assando, o chão de cimento do quintal, minha caloi ceci. tudo parecia tão perfeito, no início. onde foi que as coisas perderam o rumo?
a vida seguiu caminhos tortuosos, e calhou no imponderável absurdo do agora.
tenho sobre as costas e por todo o corpo, me cortando e comprimindo, o castigo dos erros que não cometi. eles doem e pesam.
queria purificar o passado. não posso nem desejo extingui-lo. há bons momentos nas brechas da dor.

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